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La Régle du Jeu
 
La Régle du Jeu
 
Jean Renoir concebeu La Régle du Jeu em 1938, por altura do acordo de Munique pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Ao ouvir uma peça de música barroca Francesa criou um filme onde podemos encontrar uma elegante estrutura que suporta uma comédia que disseca brutalmente uma classe governante que caminha lenta e cegamente para o abismo.

Renoir, filho do grande pintor Impressionista, encontrava-se bastante próximo do Partido Comunista, tal como a sua companheira, sendo esta um membro do partido. O realizador francês chegou mesmo a conceber filmes propagandísticos que levaram a Frente Popular ao poder em 1936. Filmes como La Grande Illusion ou La Marseillaise reflectem as esperanças criadas pela Frente Popular.

Em 1939 estas esperanças tinham morrido. La Régle du Jeu foca as suas atenções nos vencedores, ricos e de boa linhagem de Paris. Uma festa numa casa de campo dada por um rico marquês de origem judaica, de seu nome Robert de la Chesnaye (Marcel Dalio), é o local onde se desenrola toda a acção. A situação ganha contornos embaraçantes dado que a mulher de Robert , Christine ( Nora Gregor), é o objecto da paixão de um dos convidados, o famoso aviador Andrés Jurieux (Roland Toutain). Por sua vez Robert tenta esconder a sua amante, também presente na festa, enquanto que a sua mulher se diverte com outros admiradores, entre os quais o seu grande amigo, Octave (Jean Renoir).

Como se não bastasse, nos bastidores da festa, entre a criadagem que serve a festa que se desenrola, desenvolve-se um triângulo amoroso. A criada de Christine, Lisette (Paulette Dubost), aborrecida com o seu marido Shumacher (Gaston Modot), cai nos braços de Marceau (Julien Carette), um caçador furtivo que Robert decide empregar para desconforto de Shumacher.


Esta farsa brilhante, coreografada como um ballet, diverte-nos ao mesmo tempo que nos aguça o apetite para assuntos mais sérios e é a forma como Renoir o consegue que torna La Régle du Jeu num dos melhores filmes da história do cinema.

Os assuntos referidos são constatados por exemplo no anti-semitismo patente nos convidados que Robert recebe, ou o realce do hobby do Marquês, obcecado pelo seus brinquedos musicais, demonstrando a inutilidade da classe ilustrada.

Um dos momentos chave do filme revela a dureza com que Renoir retrata esta classe social, usando para tal a caçada que é organizada em redor da casa de campo. Através de uma edição crua, Renoir mostra-nos os elegantes cavalheiros e senhoras a literalmente fuzilarem dezenas de coelhos e pássaros enquanto trocam palavras de circunstância. Este episódio é mais tarde relembrado quando através de uma série de mal-entendidos leva á morte de uma das personagens.

No entanto, La Régle du Jeu é mais que uma excelente sátira. Através da personagem de Octave, Renoir diz uma das frases mais famosas do filme : “Tout le monde a raison”, ou seja, “toda a gente tem os seus motivos, as suas razões”. A genialidade desta obra reside no facto de descrever de uma forma impressionante a separação das classes sociais mas conseguindo ao mesmo tempo ilustrar os pontos de vista de cada uma das personagens de maneira a sentirmo-nos próximos de cada uma delas.

Aliada a esta fantástica visão social, temos uma realização impressionante á qual não falta uma fotografia sem mácula. Um filme/referência para qualquer cinéfilo.(JD)
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