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Aconteceu no Porto
 
Aconteceu no Porto
 
Há 3 anos atrás, os norte-americanos Calexico conseguiram transformar milagrosamente um dos dias mais chuvosos de sempre numa agradável noite de fiesta, mariachis e westerns. Na passada 5a feira, no Hard Club, perante uma sala bem composta, o inesperado voltou a acontecer - o deserto afinal tem vista para o rio Douro.

Formados por Joey Burns, John Convertino e amigos - Paul Niehaus, os irmãos Valenzuela, Jelle Kuiper, Martin Wenk e Volker Zander - os Calexico são facilmente associados ao imagninário mexicano e às bandas sonoras de westers. Podem parecer ideias feitas mas é mesmo verdade. Não são meia dúzia de americanos vestidos com folhos coloridos a ensaiar números para o restaurante de tapas mexicanas do quarteirão. São um grupo cuja mais valia é o facto de serem excelenters músicos que gostam de explorar e conjugar ao máximo sonoridades exóticas com verdadeiras melodias pop. Um cocktail explosivo de ritmos mexicanos, rock, folk e até jazz.

Munidos de uma parafrenália imensa de instrumentos (metais, guitarras, trompetes, maracas, contrabaixo, bateria) os Calexico prometem (e cumprem) uma viagem ao reino dos mariachis, apadrinhada por Sergio Leone e Ennio Morricone, onde nem sequer faltam os assobios e uivos imprescindiveis.

As primeiras notas da noite desvendaram Whipping the Horse's Eyes , tema instrumental do mais recente album “Feast of Wire” (2003) que serviria de base à maior parte do concerto. Com o Hard Club transformado num imenso saloon em tons de castanho, laranha e amarelo, dava-se assim início a um dos duelos mais festivos de sempre.

Enquanto que a nível visual os Calexico primam pela simplicidade da indumentária (são a banda genuinamente anti-moda) e curiosidade das projecções (freiras que tocam pandeireta, mariachis com cabeça em forma de cebola, fogo de artifício...), a nível musical são uma óptima banda ao vivo. Neste sentido, as duas horas de actuação foram marcadas por momentos em que guitarras perfeitas se juntaram os trompetes dos genuinos irmãos Valenzuela (com ascendência portuguesa), à bateria certeira de Convertino e à voz irrepreensível de Burns, capaz de ganhar o prémio “tom de voz mais cool de sempre” em ex-equo com Steve McQueen. El Picador (“Hot Rail” - 2000), Stray (“The Black Light” - 1998) e Quattro (“Feast of Wire” - 2003) trouxeram o deserto árido para as margens do rio Douro. Frontera (“The Black Light” - 1998) trasnforma o tompete num instrumento de sonho. Crystal Frontier, segredo público do álbum “Aerocalexico” (2001) é sempre a certeza de um momento alto do concerto em que apetece bater palmas. Out of Space (“Scraping”- 2002) faz sombra a temas dos Pixies e pode ser considerada o rebuçado pop perfeito. Ao mesmo nível está a belíssima Not Even Stevie Nicks (“Feast of Wire” - 2003), a amostra ideal daquilo que os Calexico são: o México melodioso com umas notas de jazz.. No final, a cover da semana - Love Will Tear us Apart, dos Joy Division.

Durante duas horas os Calexico divertiram-se e divertiram-nos. Joey Burns revelou mais uma vez a sua admiração por Portugal, chamando a atenção para a beleza do Hard Club, dizendo “obrigado” e “boa noite” num português perfeito e fazendo inesperadas alusões à queda da ponte de Entre-os-rio e a Amália Rodrigues.

Só nos resta desejar que festas como estas aconteçam muitas vezes, com ou sem margueritas.(Joana Neves)
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2017-04-28
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