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The Darkness
 
The Darkness
 
A melhor banda rock do momento vem ao Festival do Dragão, dia 16 de Julho, no Porto, apresentar o álbum "Permission To Land".

Vou ser sincero: a primeira vez que ouvi os The Darkness ri-me!
Durante semanas e semanas não consegui deixar de ouvir "Permission To Land", só para tentar perceber se eram uma banda no gozo, a la Spinal Tap, ou se eram uma coisa séria.

Para confundir ainda mais, lia entrevistas com citações do tipo "somos uma mistura entre uns AC/DC gay e uns Queen heterossexuais".

Prestei atenção às letras (muito bem escritas por sinal) e o gozo continuou - desde o tema de abertura "Black Shuck" que fala da lenda de um cão que assombrava Lowestoft, a cidade Inglesa onde cresceram os seus quatro membros ("Black Shuck, that dog don't give a fuck"), passando por "Get Your Hands Off My Women, Mutherfucker", até às experiências com cocaína visitadas em "Givin' Up" ou ao trocadilho em "Love On The Rocks With No Ice".

Ok, não chegam a ser uma versão inglesa dos Ena Pá 2000, mas tiraram todo aquele ambiente chato a que nos acostumaram os últimos êxitos na área do Rock (Staind, Korn, Puddle Of Mudd, Nickelback, Linkin Park), com vocalistas sempre prontos a comunicar ao mundo que estão zangados com o pai e que ninguém gosta deles.

Os vídeos? O melhor é verem pelos vossos próprios olhos em www.thedarknessrocks.com
"Growing On Me" é abrilhantado com uma cena de sexo entre um dinossauro voador e um OVNI e "I Believe In A Thing Called Love" é passado dentro de um nave espacial, em grande estilo.

Tudo isto é a imagem de marca dos The Darkness que se destaca no meio daquilo que é a base do sucesso desta banda - grandes músicas! Com um som altamente influenciado pelos AC/DC por alturas de "Highway to Hell", Aerosmith da década de 70 ou Thin Lizzy, recriaram a fórmula que tanto sucesso teve entre as hair-bands dos anos 80 - um bom riff de guitarra durante o verso, uma bridge bem catchy e um refrão pop que fique logo no ouvido. E há mais! Os solos de guitarra voltaram!

Para tirar a prova dos nove fui, já totalmente hipnotizado pelas músicas, em direcção a Madrid para vê-los a tocar numa sala bem pequena, o melhor cenário para um bom concerto de Rock, e a diversão continuou. Encontrei uma banda liderada por um ultra carismático Justin Hawkins, com o seu bem característico falsete, vestido com Cat Suits de fazer inveja a qualquer banda Glam do final da década de 70, meia dúzia de tatuagens e a necessitar de umas idas ao dentista. O resto da banda, composta pelo guitarrista Dan Hawkins (irmão de Justin), o baterista Ed Graham e o baixista Frankie Poullain, são o complemento perfeito para Justin, também ele um excelente guitarrista.

Também estava curioso para conhecer o tipo de público que ouve os The Darkness. Fiquei surpreendido quando vi uma mistura de alguns típicos fãs mais velhos e os seus blusões de cabedal com muita gente nova, alguns deles provavelmente influenciados pelas vezes que o vídeo de "I Believe In A Thing Called Love" passava na MTV.

E por falar em fãs, o mais famoso é sem dúvida Tony Blair. Isso mesmo, o inglês preferido do eleitorado do Bloco de Esquerda confessou que se farta de roubar o CD dos Darkness ao filho para ouvir à noite.

Regressei a Lisboa convencido que os Darkness não são uma brincadeira. O concerto foi fabuloso, tanto ao nível da intensidade da banda, como na performance de Justin Hawkins, um frontman nato, a fazer lembrar um David Lee Roth nos seus melhores tempos de Van Halen, que consegue comunicar com o público como mais ninguém.

“Permission to Land” já reservou por, mérito próprio, o seu lugar na História ao lado de álbuns como "Highway To Hell", "Appetite For Destruction" ou "Led Zepellin II".

Outra curiosidade. O álbum foi produzido por um Português, Pedro Oliveira, que trocou Aveiro por Londres há 10 anos. Foi o disco mais vendido em Inglaterra em 2003, 5 vezes platina com perto de um milhão e meio de vendas. Aliás, a Atlantic Records, que tinha recusado assinar os The Darkness porque nunca acreditou no sucesso deste tipo de música em pleno século XXI, acabou por comprar a editora independente com quem a banda gravou para poderem ficar com "Permission To Land" no seu catálogo.

2004 é a aposta nos Estados Unidos, com uma tournée completamente esgotada e com 800.000 álbuns vendidos, ou seja, quase platina.

Actualmente os Darkness estão divididos entre a tournée americana e o estúdio, onde já preparam o 2º álbum com o produtor Robert John "Mutt" Lange.

Mutt produziu alguns dos melhores álbuns de Hard Rock de sempre - "Highway To Hell" e "Back In Black" dos AC/DC ou "Pyromania" e "Hysteria" dos Def Leppard. O único problema é que tem um som tão característico que cada banda com que trabalha soa ao mesmo. Conseguiu pôr o Brian Adams e a Shania Twain a soar mais a Def Leppard dos que os próprios Def Leppard. Vamos lá ver o que faz com os The Darkness, mas uma coisa é certa: esta colaboração tresanda a sucesso garantido!

A 16 de Julho não os percam no Festival do Dragão, no Estádio do Dragão, onde vão estar ao lado de nomes como David Bowie, Iggy Pop and The Stooges, Cheap Trick, Deep Purple e dos Portugueses KidNap, entre outros.(RB)
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2017-09-22
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