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Toranja em discurso directo
 
Toranja em discurso directo
 
Em 2001, no Festival Super Bock Super Rock, os lisboetas Toranja fizeram a sua primeira mostra ao público nacional. Mostra essa que foi o degrau inicial de um percurso musical que se tem vindo a revelar uma caixinha de agradáveis surpresas, como foi o caso do single a Carta.
A solidificação da banda tem por base a constante busca de simbiose entre as suas actividades anteriores e posteriores ao sucesso. Como a actual notoriedade foi repentina preferem manter os pés bem assentes na terra. Em Portugal ou não, mas sempre em português, é no palco que se sentem vivos.


UZI: Consideram-se uma banda mais de palco do que de estúdio?
TORANJA: Creio que sim. Já demos mais concertos do que gravamos discos…. (risos) … só gravamos um disco, foi um mês de estúdio, foi muito rápido e nem deu tempo para gravar todas as que queríamos gravar. Foi uma experiência muito rápida, acho que ainda sabemos muito pouco de estúdio, temos que aprender em estúdio. Também temos para aprender e muito para saber em palco, só que acho que estamos mais há vontade em palco e crescemos mais em palco e as pessoas que nos vão ouvir nos concertos também dizem a mesma coisa… até porque gostamos mais de tocar em palco do que gravar um disco e as pessoas gostam mais de nos ouvir em palco do que ouvir o disco. Acho que é bom sinal porque normalmente dizem que as bandas provam-se ao vivo.

U: Concertos fora de Portugal é uma ambição ou acham que para já é por cá que devem investir?
T: Todos temos uma certa curiosidade em saber como é dar concertos fora de Portugal. Já demos um em Paris, quando fomos convidados para a entrega de prémios da Rádio Tempestade e por acaso ganhamos o prémio de banda revelação. Tocamos lá num armazém… numa feira… foi um bocado estranho, mas foi engraçado, foi uma experiência gira. Mas não temos grande pressa para fazer uma carreira internacional… até porque cantamos em português.
Recebemos e-mails… recebemos imensos e-mails do Brasil a dizer que gostam de nós, recebemos e-mails da África do Sul, de Espanha também já recebemos, França… por isso não sabemos, ainda surge qualquer dia.

U: Cantar em inglês, pode vir a ser uma opção?
T: Cantar em inglês é para os ingleses… (risos) que cantam muito bem, têm boa pronúncia e há alguns que escrevem bem …

U: Quando se aperceberam que a banda estava a solidificar-se tiveram de abdicar de outros projectos, de outras profissões, ou já se dedicavam inteiramente à música?
T: Foi sempre difícil. O Ricardo, por exemplo, ainda está acabar o curso de artes plásticas, eu (Tiago) acabei no ano passado o último ano de arquitectura, que foi uma tortura… ia tendo um esgotamento a meio do ano; mas acho que nunca chegamos propriamente a desistir, tentamos conseguir juntar as duas coisas, sincronizar também com a equipa toda que estava a trabalhar connosco, também dizíamos: “tenta não marcar concertos para esta altura, porque vamos ter exames ou os nossos professores já não aguentam mais as nossas faltas”. É difícil, mas tentamos conciliar as duas coisas.

U: O grande sucesso da “Carta” deve-se sobretudo à letra. Quem escreve as das letras?
T: Fui eu (Tiago) que escrevi.

U: E escreves todas?
T: Sim, neste CD sim.

U: Pretendem em próximos trabalhos/registos manter este estilo de música?
T: Vamos tentar manter um bocado este ibérico… ainda não se percebe se calhar muito bem o que Toranja, se calhar com o segundo disco vai ficar mais claro, talvez já não se fale tanto em comparações, mas acho que o nosso universo permite-nos também um bocado explorar algumas coisas sem que tenhamos de fazer agora mais “Cartas” ou mais “Cenários”… mas inevitavelmente hão-de aparecer canções… se calhar surgiram essas porque são feitas por nós e de alguma forma há-de haver semelhanças.

U: No vosso site têm uma secção a que chama Curtas, que são uns vídeos com um ar de teatro. Isso está ligado à preparação que fazem para os concertos ou aquilo foi um momento único?
T: Se fazemos aquilo antes dos concertos? (risos)

U: Não. Se têm algum tipo de preparação antes de subir ao palco?
T: Neste momento a preparação que estamos a fazer é, a seguir ao jantar, vamos na carrinha a ouvir disco dos anos 80, a bater palmas e a dizer coisas feias (risos).
As Curtas fazem parte da faixa multimédia do CD, só por acaso é que nós decidimos que íamos pôr no site. A ideia das curtas surgiu ao mesmo tempo que estávamos a pensar o que íamos pôr na faixa multimédia, porque disseram-nos que ia ter fotografias e uma entrevistas com a banda e não estávamos muito para ter uma sessão fotográfica; então a ideia das Curtas era fazer umas curtas-metragens um bocado non sense, mas com um certo sentido, e era uma sessão filmada e fotografada… a parte da fotografia não correu lá muito bem, ficou um bocado estranha, mas acabou por surgir um episódio que monstra mais de nós do que uma entrevista… e tem a ver com isso. O princípio das Curtas foi uma coreografia feita por uma coreógrafa de dança moderna chamada Isabel de Sousa, e depois foram surgindo ideias com as toranjas e com os balões… mas tudo aquilo tem um sentido muito profundo.

U: A imagem que dá cara aos Toranja, que está na capa do vosso CD e no vosso site, baseado em rascunhos, segue um bocado o conceito do Esquissos?
T: Ao início o arranjo que é o boneco, a mascote, surgiu um bocado nesse sentido… dar cara a um conceito. Eu (Ricardo) olho para o boneco e não acho que ele possa ser… sei lá, inglês ou de outro lado… é mesmo nosso, é um tuga e acho que é isso… no fundo há ali uma síntese, é simples: o fundo é branco, o boneco é preto.

U: O CD ainda é um projecto por acabar? Li que sentiam que o álbum era um projecto por acabar… continua a ser?
T: Não é um projecto por acabar, o CD está feito. Mas se calhar se a esta altura do campeonato fossemos gravar outra vez o CD, com as mesmas músicas, elas iam ser gravadas de uma maneira completamente diferente e tem a ver com isso. Qualquer pintor, quando olha para uma pintura qualquer, passado um não sei quanto tempo, apetece-lhe ir lá fazer mais uns risquinhos e pôr mais umas corezinhas…. Então é por isso, mas os esquissos estão lá e fazem parte de uma espécie de fotografia de um tempo por onde passamos.
Júlio Pomar, um pintor, disse uma coisa muito gira: «os pintores normalmente pintam muitos quadrados porque são incompetentes, se não o fossem pintavam só um»… e é um bocado essa ideia, há uma certa forma de incompetência que acaba por ser uma buscar por algo maior… somos humanos.

U: Para finalizar, como receberam a nomeação para os Globos de Ouro, para duas categorias?
T: Recebemos uma carta… (risos) … quando a recebemos já sabíamos… só recebemos a carta ontem (risos).
Nós também já recebemos o tal prémio da Tempestade e divertimo-nos imenso em ir lá a Paris, ir à festa; tivemos agora um disco de prata, que foi óptimo. Mas uma banda não é feita de galardões… se recebermos é porreiro, mas também não vale a pena ser a coisa mais importante das nossas vidas ganhar. Ser nomeado é óptimo, é a tal coisa que normalmente dizem: “foi óptimo ser nomeado!” (risos). (Camy)
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2017-09-22
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