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Madvillain - Madvillany
 
Madvillain - Madvillany
 
O conceito é simples, duas das figuras mais relevantes do melhor hip-hop underground feito em terras do tio sam encontram-se cara a cara para um dos álbuns mais desafiadores e cativantes deste ano que ameça estabelecer definitivamente o hip-hop como uma força capaz de ultrapassar barreiras musicais e clichés pré-concebidos de marca MTV.

Essas figuras são Mf. Doom de verdadeiro nome Daniel Dumile ex KMD e o requesitado
produtor Madlib de verdadeiro nome Otis Jackson Jr., cujo último trabalho de remisturas do catálogo da Blue Note "Shades Of Blue" foi alvo de merecidos elogios pela critica especializada, pela capacidade de Madlib transformar clássicos da Blue Note com boas doses de funk e algum do mais clássico hip-hop transposto num disco de remisturas.

Este encontro acontece na hora certa para os dois músicos, visto que tb Doom vinha de dois trabalhos bem acima da média como o seu trabalho sob o nome de King Geedorah, e Viktor Vaughn que futuramente serão revistos quando se falar na evolução deste género ao longo dos anos.

Agora sob o nome de Madvillain, Doom & Madlib mostram porque é que o movimento underground têm sido cada vez mais falado e respeitado no mainstream, com um disco que ultrapassa todas as espectativas até mesmo de um encontro como este, como prova "Accordion" uma das faixas mais assombrantes a que o género já alguma vez produziu com Doom a cuspir fogo sobre um sample de acordião dirigido por Madlib que mais parece um convite directo para um jantar na companhia da familia Adams "Hey you don't touch the mike like it's AIDS on It"---bem se calhar a rima é um pouco severa, mas esta é apenas a segunda faixa, em seguida somos confrontados com um segmento de ligação que nos leva a "Meat Grinder" que contém uma entrega irrepreensivel de Doom sob rasgos de Ukelele e uma linha de baixo tão negra quanto Doom, assim como o standout claro em America's Most Blunted com uma batida contagiante, cortesia de Madlib.

Mas Madvillany não vive somente das rimas rápidas de Doom e da produção esquizofrénica
de Madlib, mas tb das colaborações chamadas ao microfone como é o caso de Medaphoar que em "Raid" atira versos com um flow tão impressionante quanto a batida funky que o serve que não ficaria nada fora de lugar num disco de James Brown da década de 80. Wildchild tb contribui de forma positiva para o delirio de "Hardcore Hustle". O alter ego de Doom Viktor Vaughn aparece tb na suite R&B em "Fancy Clown" assim como o de Madlib, Quasimoto surge frente a Doom em "America's Most Blunted"

Madvillany não é fácil de assimilar á primeira audição porque existem muitas coisas a acontecer ao mesmo tempo o que sempre foi um contraponto na produção de Madlib, e algumas faixas sofrem da sobprodução como "Rainbows" que prova definitivamente que Doom nunca deveria cantar, mas esse poderá ser um contraponto facilmente ultrapassado visto que Madvillany dispara em cheio no ouvinte desde o intro inicial terminando em menos de uma hora. levando o ouvinte a ir buscá-lo cada vez mais á medida que tenta captar todos os pequenos pormenores que nem pensava que existiam e é essa a caracteristica que faz com que Madvillany assim como "Sgt. Pepper's" dos Beatles seja um marco na inovação e na ruptura de barreiras musicais combinando o experimental com o melhor hip-hop que conhecemos dos nossos dias. Definitivamente essencial. (PF)
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