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A festa supresa!
 
A festa supresa!
 
O cartaz da edição de aniversário do FIB guardou o seu grande trunfo para a noite de sábado, dia 7 de Agosto – Morrissey. Anunciado a poucas semanas do início do festival, era a prenda por que todos esperavam. Uma oportunidade única para ver o ex-líder dos Smiths a apresentar o seu último álbum “You are de Quarry”, acalmado unanimemente pela crítica nacional e internacional. Um dia de emoções constantes que para além de Morrisssey, contava também com as actuações do lendário Lou Reed e dos sempre bem recebidos Belle and Sebastian e Primal Scream.

Perante tal cardápio de artistas imperdíveis a azáfama no recinto de festival era notória. Bilhetes diários esgotados e um nervosismo latente à medida que anoitecia, num dia de muito calor em que gelados de limão e leques de papel eram distribuídos gratuitamente. Aquele que se previa ser um dia histórico do FIB teve logo ao fim da tarde um dos seus pontos altos – Teenage Fanclub. Mais uma vez, a selecção escosesa a jogar em Benicàssim venceu. Os Teenage Fanclub assinaram um dos melhores concertos do FIB onde público e banda estiveram em permanente sintonia e os 50 minutos de actuação voaram. Mestres em melodias simples e eficazes que dão vontade de ouvir sem excepções. Uma colecção de canções, nomeadamente “Sparky’s Dream” e “Ain’t That Enough”, que o público do “Escenario Fiberfib.com” acompanhou sílaba a sílaba e nota a nota.

Depois do óptimo encontro com os Teenage Fanclub começava a contagem decrescente para a actuação de Morrissey. Pelo recinto, clones, t-shirts e badges do artista pareciam multiplicar-se. O palco anunciava uma inesquecível actuação, com uma letras luminosas gigantescas a confirmar o nome da primeira e tão esperada estrela do “Escenario Verde”. Estava-se prestes a presenciar um momento histórico quando o inimaginável aconteceu – a actuação de Morrissey fora cancelada a cerca de uma hora do espectáculo. Um comunicado da organização informava que por motivos técnicos o avião particular do artista tinha sido obrigado a regressar a Inglaterra e que o concerto seria então irrealizável. Mais tarde saber-se-ia que os esforços da organização para ainda conseguir uma actuação de Morrissey, mesmo noutro dia, tinham sido imensos mas impossíveis de concretizar. Silêncio. Silêncio e a tristeza em todos os rostos numa partilha de desalento comum. Aquilo que todos esperavam tinha desaparecido. Morrissey não actuaria em Benicàssim. Não se ouviria nem um acorde de “We are the Quarry”, nem uma pérola dos Smiths. Nada. O convidado especial do décimo aniversário do FIB tinha faltado à festa mas o ânimo não podia desaparecer e por ironia do destino, graças à ausência de Morrissey, era agora possível assistir ao concerto dos Scissor Sisters por completo que estava marcado precisamente para a mesma hora.

Sem Morrissey, o “Escenario Hellomoto” encheu para receber os Scissor Sisters. Se há grupos que têm uma altura exacta para serem vistos ao vivo, os Scissor Sisters são um deles. Aproveitando a moda “lixo é luxo”, os Scissor Sisters estão na moda durante a temporada Primavera-Verão de 2004 e provavelmente demodés em 2005, por isso não percamos tempo. Espectáculo da Brodway ou show transformista, vale tudo. Os Scissor Sisters nasceram para as actuações ao vivo. É teatro, são canções. Às primeiras notas do concerto, com “Take Your Mama”, Ana Matronic assume-se como a gerente do cabaret que se viria a tornar o “Escenario Hellomoto”. Não há tempo para tristezas. Os corropios em palco são constantes. O público não consegue estar parado. Jake Shears aproveita para treinar o seu castelhano e “Laura” continua a ser a melhor canção dos Sisccor Sisters. “Confotably Numb” é guardada para o final e é a histeria colectiva, de vozes em falsete e movimentos de braços de missa Gospel que acabam com Jake Shears, apenas de toalha, em movimentos cómico-eróticos. Animação depois da tristeza do dia.
Após Lou Reed ter sorrido no “Escenario Verde” era a vez dos Belle and Sebastian encantarem novamente o público do FIB. Não é segredo para ninguém que os Belle and Sebastian adoram Benicàssim e que já transformaram o festival numa paragem obrigatória de Verão. A mítica piscina do backstage e os jogos de futebol entre artistas e imprensa rapidamente os cativaram. Este ano, perante uma multidão de devotos, Stuart Murdoch “y sus muchachos” apresentaram-se particularmente bem dispostos e saltitantes. “Step into my Office” foi bailarico dentro e fora do palco, “If you Find Yourself Caught in Love” inesquecível, “The Stars of Track and Field” único e “Judy and the Dream of Horses” o final perfeito. E como são verdadeiramente brilhantes, não esqueceram a acertada versão de “The Boy Whith the Thorn in his Side” dos Smiths. Afinal Morrissey espreitou Benicàssim.
Enquanto no “Escenario Kane NYC FIB CLUB” a editora Kompakt tinha a noite por sua conta, com Superpitcher, Tobias Thomas, Reinhard Voigt e Thomas Fehlman, no “Escenario Verde” Bobby Gillespie tentava a todo o custo equilibrar-se. Os Primal Scream não sabem dar maus concertos. Ou incendeiam o palco ou simplesmente não aparecem (como aconteceu no mítico festival de Arcos de Valdevez). Muito provavelmente Bobby Gillespie não se lembra de grande parte dos seus próprios concertos mas esperemos que haja gravações que lhe avivem a memória, já que para quem assiste a um espectáculo dos Primal Scream tal jamais acontecerá. “Swastika Eyes” parece estar subentendida em grande parte das suas canções, mas isso não é mau. Um concerto a sério, com os exercícios de contorcionismo de “Bobby e o microfone amestrado”, a lucidez do baixista Mani e um alinhamento irrepreensível onde não faltaram “Shoot Speed, Kill Light”, “Kowalsky”, “Movin’on Up” e a inevitável “Swastika Eyes”. Imparcialmente, o melhor concerto da décima edição do FIB (parcialmente, o lugar no trono pertence aos Belle and Sebastian).(JN)
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2017-05-26
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