UZI magazine
 Disco da semana  Filme da semana  Agenda cultural  Roteiro
 »Early  »Wanda  »Quintas de Leitura  »Sacramento Bar
i
ndex
   
m
úsica
  notícias
  comentários
  uzi_chart
  fib 2004
   
c
inema
  notícias
  comentários
  ante-estreia
  cine cartaz
   
d
iscurso directo
   
a
genda cultural
   
o
olho de Dalí
   
v
iva las vegas
   
u
zine
  manifesto
  galeria
  links
  ficha técnica
   
 
 
 
index » discurso directo
 
Tendrills em discurso directo
 
Tendrills em discurso directo
 
Depois do lançamento de "Gray Area Zone", a entrevista com o homem da frente. Do Happy Metal à triste realidade.(1ª parte)

Uzi – Vamos começar… Ora fala.
Abílio – Podes cagar no microfone, podes pô-lo ali, meu... Escusa de ser uma cena tão formal quanto isso.
U – Está. Estou-nos a ouvir.
A – Estás…? Ei! Tira os phones meu. Qual é a tua?
U – Estou a testar. Estou a ver se está tudo em ordem.
A – Mas já estás a ouvir, não estás?
U – Estou! Está confirmadíssimo!
A – OK! E quê?
U – E quê...
A – Vamos ter que fazer uma pausa agora.
U – Fazer uma pausa...? Não vai ser preciso parar!
A – É a primeira pausa... vai haver conversa smart nesta entrevista?
U – Pá, fica tudo registado.
A – Tudo? Pronto!

U – Ahmm...! Em relação à entrevista, vamos começar por trás. Vais começar por me dizer de onde vêm os Tendrills?
A – Pá... os Tendrills... eu respondo-te já, porque vou ter um daqueles momentos de sobressalto... de rápido estancar de voz, porque vou agora aqui ver uma cena... mas posso te dizer...

U – Diz-me, diz-me…
A – ...que os Tendrills começaram quando os Dramatic Irony acabaram e entrou o Filipe. Os Tendrills nasceram aí. Agora, por certo, há uma necessidade de saber porque é que entrou o Filipe. A banda chegou a uma altura que sentiu uma necessidade de inovar e, espera aí... o Filipe quando entrou na banda há quatro ou cinco anos atrás o rock estava naquela inovação da electrónica, aquelas primeiras incursões e nós também quisemos experimentar. E fomos buscar o Filipe porque sabíamos que era uma mais valia, já tinha tocado em muitas bandas e é um elemento que trouxe ideias novas à banda e foi por aí…

U – A banda é composta por que elementos?
A – Duas guitarras, o Pedro e o Tiago, o Nuno na bateria, no baixo o Bacelar, o Filipe no lado electrónico, na voz eu e o Filipe.

U – Está aí o início. Foi o ponto de partida... com o quê em mente?
A – Acima de tudo com a ideia de nos divertimos. Só, só... claro que determinada altura da tua vida pensas que podes tirar um ou dois anos e viver da música, e viver o sonho. Mas é impraticável, o mercado está de tal maneira viciado...

U – Viciado em que aspectos?
A – Para começar ninguém compra discos, há aquela minoria que os compra e, depois, vai pô-los na Internet para toda a gente poder sacá-los.

U – Isso será irresponsabilidade das pessoas ou terá também a ver com os preços praticados?
A – Os preços são impraticáveis! Quanto à cena da Internet eu até compreendo. Aliás, em Portugal é a uma das melhores maneiras de conseguir divulgar música. E estou plenamente de acordo, siga para a frente! Há que pôr tudo na rede.

U – Então concordas com o autor que pôs o título de “Roubem Este Livro” ao seu livro?
A – Completamente! Completamente!

U - É bom saber! Em relação ao mercado o que é que fazes para dar a volta?
A – Engoles muitos sapos, vais bater à porta de muita de gente, ouves coisas como: “se cantarem em português eu gravo, se não cantarem, não gravo…”
Vamos marcar reuniões, vamos não sei que mais…
No fundo está tudo a engonhar. Continua com reuniões com esta editora, com aquela…
Vai um A.& R. ver um concerto e diz que gosta muito. Então, mantêm a banda com aquele ego porreiro e a banda vai rolando. Só que é sempre aquele engonhar.
Já andamos a tocar as mesmas músicas há quatro anos, gravámos o disco há dois atrás e, finalmente, conseguimos lançar o disco este ano com uma editora independente - a Metro - não é uma editora de grande renome mas foi a que resolveu dar a oportunidade de nos lançar-mos.

U – Ao contrário de outras apoiou-vos na essência, não no produto comercial que daí poderia resultar?
A – Completamente!

U – Isto traz-nos ao presente e ao ponto em que estás. O álbum acabou de sair.
A – Estamos na concretização do sonho. Independentemente dos resultados que isto possa vir a ter. Quer venda muitos discos, quer ganhe algum dinheiro com isto ou não.
Atingimos, passados dez anos, aquela meta máxima, que é gravar e pôr o disco cá fora. Agora o que vamos tirar daqui, espero que seja tocar, que é o que mais gostamos de fazer, tocar ao vivo.

U – Disseste há pouco que estás a tocar as mesmas músicas há quase cinco anos.
A – Sim.

U – E em relação a essa situação?
A – Quando tivemos a certeza que íamos gravar o disco não ficámos, como deves imaginar, com grande cabeça para músicas novas, queríamos arrumar aquelas.
O que estamos a fazer agora é bastante diferente daquilo que apresentámos neste álbum. Quer queira, quer não, a nossa música é sempre um pouco efémera. Já está um bocado fora de mão. Se tivesse saído à dois anos atrás teria tido outro impacto. Tínhamos aparecido na onda do New Metal.

U – Consideras o “Gray Area Zone” um álbum fora de época?
A – Considero-o um bocado fora de época.

U – O que é que te dá vontade de fazer?
A – Dá-me vontade de...
Considero-o fora de época, mas continuo a gostar das músicas. Agora, quem ouve pela primeira vez é capaz de as associar ao New Metal e o New Metal, para além de ter um sentido cada vez mais depreciativo, já lá vai. Já passou. Agora novas ondas virão, novas coisas vão ser feitas.
Olha, vamos fazendo. Se por acaso cairmos numa boa onda e lançarmos um disco daqui por dois, três anos tudo bem. Senão vamos fazendo aquilo que curtimos. Se é New Metal, rock, sinceramente não me interessa.

U – Sem preocupações de estilo!
A – Zero! Isso é para os críticos. Eles é que sabem. Eles é que dominam essas merdas!
Olha, no concerto que demos com Limp Biskit, estávamos a falar com o promotor do disco e foi castiço. Ele classificou o nosso estilo como Happy Metal.

U – Happy Metal? É uma definição que te agrada?
A - Agrada! Gostei. Porque não se cola a nada que já tenha ouvido falar, como New Metals, Hard Cores, etc.

U – Vais fazer alguma digressão? Tiveste o lançamento do álbum no Blitz, há também a venda no mercado? Esse lançamento foi feito em que moldes?
A – A de dois e nove de Março, foram lançadas no Blitz, julgo eu e espero não me estar a enganar, cinco mil cópias. Acho que até se tem vendido bem, o disco até está a um preço acessível.
A partir daqui são seis semanas para fazer a recolha das cópias que não se venderam e vai para as lojas. Penso que as Fnac’s e as Valentim’s. Portanto, daqui por mês e meio o disco está nas lojas e depois vamos fazer uma digressão pelas Fnac’s. Vamos ter lá uma barraquinha para promover o disco. Eu espero que o disco, no máximo, seja posto à venda com o preço que estava no Blitz, sete euros e meio.

U – São cinco mil cópias?
A - São cinco mil cópias nesta edição e espero que esgote para se gravarem mais cinco mil e lançar. Depende das sobras.

U – Então esta edição que comprei é uma raridade?
A – (risos) É, é uma raridade!

U – Acho muito bem. Espero que valorize…
E para além das Fnac’s?
A – Vamos fazer a inauguração do multi-usos de Fafe, a nossa terra. No dia 27 de Março temos concerto no Hard Club, em Gaia, com os Primitive Reason. Para já as coisas estão um bocado paradas, o mercado está mau, o promotor não nos quer por a tocar de graça, o que é perfeitamente compreensível…
Ganhar dinheiro, ninguém está à espera de ganhar dinheiro, mas gastar para tocar é um bocado estúpido. Chegas a uma determinada altura da carreira que foda-se… ao menos que nos paguem as despesas. Não é fazer o que estamos sistematicamente a fazer. Alugar carros às nossas custas, estadia às nossas custas.
No caso do concerto com os Limp Biskit, lá em baixo em Lisboa, foi muito bom, mas para a carteira foi uma desgraça. Estávamos numa reunião com o nosso agente, acerca da promoção do disco, entretanto chegou um fax da Música no Coração a dizer que a banda de apoio a Limp Biskit não ia aparecer, precisavam de uma banda e nós estávamos lá.
Como isto foi na quarta e o concerto era na sexta-feira, ficámos lá. Puseram logo tudo às claras, não há apoio, não há dinheiro, se quiserem é assim que tem que ser… e isto é mau. Tanto para nós como para o resto das bandas em Portugal e isto acontece massivamente. Toda a gente toca de graça, toda a gente põe dinheiro, toda a gente passa as “passas do Algarve” para conseguir fazer alguma coisa na música.(JP)
 «
 
Título Gray Area Zone
Artista Tendrills
Editora Metro
Ano 2004
Site oficial www.tendrills.com
 

 

   

© UZI magazine 2004
2017-10-20
alojamento: RealFastMedia.com