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A improvável história dos Kaviar.
 
A improvável história dos Kaviar.
 
A história da banda começa no dia em que El Cabron D’El Patron, com uma pistola apontada à cabeça, promete a Pablo Escobar fugir da Colômbia para nunca mais voltar. Após ter traído a confiança a essa figura mítica dos cartéis colombianos, ao tentar assumir a liderança do narcotráfico naquele país, Pablo, que lhe tinha dado a mão e o ergueu como estratega e organizador do “abastecimento” da Europa, não lhe perdoou. E só lhe poupou a vida porque El Cabron D’El Patron era grande paixão da sua filha Virgínia.

Poupado, mas obrigado a exilar-se, restava-lhe seguir para a Europa onde a sua profissão lhe tinha assegurado uma vasta rede de contactos. E que lugar melhor que Istambul para recomeçar a vida?

Durante anos, El Cabron D’El Patron viajou de Istambul para o Afeganistão e Irão semanalmente, onde se encontrava com os líderes da cultura de ópio, levando a melhor heroína para introduzir no mercado europeu.
Numa das suas visitas ao Afeganistão, perto de Kandahar, conheceu ЏLДDЇMЇЯ PЦTДЙЋЁПКФ, um soviético procurado para ser abatido por forças policiais de todo o Mundo, que vivia na clandestinidade e sobrevivia participando nas colheitas do ópio.

ЏLДDЇMЇЯ PЦTДЙЋЁПКФ era, no entanto, um génio.
El Cabron D’El Patron rapidamente tratou de lhe arranjar um passaporte falso para o levar até Istambul para trabalhar consigo. Tornaram-se amigos inseparáveis.
Juntos, dominaram o mercado da heroína na Europa durante vários anos até serem descobertos pela Interpol. A rede de contactos que El Cabron D’El Patron mantinha por todo o Mundo, mais uma vez os ajudou a fugir. Deixando tudo para trás, entram num cargueiro cheio de esturjão, proveniente do Mar Negro, com direcção à Península Ibérica, onde iriam encontrar um novo palco para as suas actividades ilícitas.
À chegada, dividiram-se para não levantar suspeitas: ЏLДDЇMЇЯ PЦTДЙЋЁПКФ foi “aliviar” carros de grande cilindrada e El Cabron D’El Patron aproveitava a sua fama entre as mulheres para se tornar o “patrão” das melhores profissionais da região sul.
Com o passar do tempo, El Cabron D’El Patron passou a dominar o sub-mundo da prostituição e, também, dos automóveis de luxo. Mas o homem tinha um sonho: ser o rei da indústria pornográfica.

El Cabron D’El Patron decidiu então assassinar o homem que detinha essa posição (Johnny Holmes) contratando o melhor profissional do meio: Jack Revolver.
Johnny Holmes era o protótipo do Playboy: gel no cabelo, carros desportivos, charuto na boca, duas/três namoradas (daquelas!!!) sempre a acompanhá-lo... Coleccionador compulsivo de obras de arte (maioritariamente artefactos de guerra), acredita ser a reencarnado do Barão Vermelho. Mas, Johnny Holmes não se ficava por aqui. Era um frequentador assíduo de casinos e um dos maiores fomentadores do jogo ilegal da Península.

Johnny Holmes não era um homem qualquer. Segundo relatos de uma das suas ex-namoradas, a sua dupla personalidade era mais evidente que nunca: a paranóia retirava-lhe a lucidez nas alturas mais variadas do dia, o que o obrigava a retirar-se para o seu estúdio caseiro, onde exorcizava os seus traumas da Grande Guerra através do seu magnânime instrumento – a guitarra.
Johnny Holmes era, também, um poeta, um verdadeiro relatador de histórias, que transparecia de forma apocalíptica o mundo em que vivia (ou acreditava viver).

Jack Revolver, por sua vez, era um dos muitos corretores da bolsa mais famosa do mundo. Era Jack Revolver que tomava conta da carteira de inúmeros homens de negócios, mas também de criminosos como El Cabron D’El Patron. E até tinha um certo sucesso.
Jack Revolver era casado e tinha uma filha que adorava. E se não a tivessem assassinado (por culpa de um negócio mal efectuado por si), provavelmente este ainda continuaria na sua vida (relativamente) pacata.
A revolta de Jack Revolver encontrou um ombro em El Cabron D’El Patron que prometeu ajudá-lo em troca da sua fidelidade.

El Cabron D’El Patron oferece a Jack Revolver o único artefacto que o acompanhava desde a Colômbia: a espingarda com que o seu pai tinha lutado durante a guerra da independência do seu país natal. A partir desse dia, Jack Revolver tornou-se no maior “matador a soldo” da história, uma autêntica lenda viva.

E, de facto, a astúcia de Jack Revolver levou-o a propor a El Cabron D’El Patron e aproveitando o facto de Johnny Holmes ser um homem honesto, se poderiam agregar de forma a explanar o virtuosismo do rock n´roll como máscara de todas as ilicitudes. E, de facto, assim que Jack Revolver pronunciou as célebres palavras “Então e se nós formássemos uma banda rock n´roll?”, El Cabron D’El Patron percebeu o rumo que as suas vidas iriam tomar:

ЏLДDЇMЇЯ PЦTДЙЋЁПКФ era um dos melhores bateristas que tinha visto tocar (nas célebres festas de Istambul – sempre recheadas de belas mulheres), Johnny Holmes era o maior virtuoso da guitarra da história porn (segundo relatos de Jack Revolver), Jack Revolver detinha um registo vocal ao mais alto nível e para El Cabron D’El Patron, o baixo era uma extensão da sua personalidade caótica e perturbada.
KAVIAЯ que simboliza a Luxúria, Riqueza e Decadência, características permanentes nos desejos mais profundos do Homem actual foi o nome escolhido.
E, a partir desse dia, largaram tudo o que tinham (excepto as meninas que os continuam a acompanhar para todos os Cabarets onde actuam) para se dedicaram em exclusivo ao Rock.
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2017-10-17
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