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Irmãos Fesser – O segredo da trompeta
 
Irmãos Fesser – O segredo da trompeta
 
Desde da (incrível) curta metragem “El sedcleto de la tlompleta” (em bom português sería “O segledo da tlompeta”) que Javier Fesser abriu o apetite para a sua (muito desejada) primeira longa metragem. Em 1998 chegou às salas de cinema o espectacular “Milagro de P.Tinto”, assinada a realização por Javier e o guião pelos dois irmãos, Javier e Guillermo Fesser. Foi a confirmação de que o clã Fesser não ía desiludir os inúmeros fans das curtas “Aquel ritmillo” e “El sedcleto de la tlompleta”.
Tal como os irmãos Coen ou os irmãos Epstein (“Casablanca”), os irmãos Fesser personificam essa (pouco científica) afirmação que defende que dois talentos juntos produzem algo maior que a simples soma de cada um dos talentos (o clássico um mais um é maior que dois).

O “Milagro de P.Tinto” é encarnação de muitos dos “espanholismos” culturais, o que os próprios espanhois chamam (no seu melhor inglês): typical spanish. O filme resume-se a isso e, sem nunca faltar, o “rir da desgraça dos outros”. P. Tinto vive com Olivia suspeitando de que esta é cega. Realmente é cega. O seu grande desejo é ser pai de muitos filhos. Mas os anos passam e os filhos não chegan nunca. Um dia, já muito velhos, recebem a inesperada visita de dois anões marcianos que viajam de nave espacial (que, na realidade, parece mais um Fiat 600 que uma nave espacial). A família P. Tinto decide adoptar estes anões que cairam do céu…

Comparado muitas vezes com Jean-Pierre Jeunet (“Delicatessem”, “The city of Lost Children”, “Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain”), Javier Fesser voltou a surpreender com a sua segunda longa metragem, baseada nas personagens de Ibañez: “La gran aventura de Mortadelo & Filemón”. Surpresa pela qualidade da adaptação (espectacular em termos de efeitos especiais e pela fotografía de Xavi Giménez) e pela escolha de Dominique Pinon (um clássico de Jeunet)para o papel de Fredy Mazas. A comparação entre o realizador Espanhol e o Francês foi, de novo, inevitável.

No entanto, o segredo (da trompeta) não reside unicamente no indescutível talento destes dois irmãos. Javier Fesser foi sempre capaz de rodear-se dos melhores técnicos do cinema Espanhol. Em “Milagro de P.Tinto”, deixou a fotografía a cargo de Javier Aguirresarobe (“Días Contados”, “Tierra”, “Los otros”, “Hable con ella”, “Soldados de Salamina”), e em “Mortadelo & Filemón” a cargo de Xavi Giménez (“Los sin nombre”, “Darkness”, “Palabras encadenadas”) dois dos melhores Directores de Fotografía espanhois.

Depois de duas curtas e duas longas metragens, já se perfila um Universo Fesser. Elementos e recursos que encontramos em todos os seus filmes. As garrafas de gás, os padres, os empregados da Telefónica… e, sobretudo, os actores que (tal como Jeunet) passam de um filme a outro, numa grande metamorfose de contexto mas não de personalidade.

Os Fesser fazem em Espanha o que Kusturica faz na Bósnia ou (inevitável) Jeunet faz em França. Portugal ainda espera a sua oportunidade.(AE/Barcelona)
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