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Tune In, Turn On, Drop Out
 
Tune In, Turn On, Drop Out
 
Em Setembro de 1990, com “Zen Brakes”, o Ninja deu o primeiro passo num caminho sem regresso.
Em 1996, com um disco na mão que, se bem me recordo, era dos Up, Bustle and Out (Light’em up Blow’em Out) pensei: bela adaptação do célebre “Tune in, Turn on , Drop out” do tipo do LSD.

A partir desse dia, vi o Ninja de outra maneira. E este descendia de uma família numerosa, com uma certa influência junto dos avatares do Jazz, do Hip Hop, do Breakbeat e do Funk. Um somatório de viagens, experiências de vida, curiosidade, que fazem a fusão entre a música e, basicamente, aquilo que se fizer dela.

Superiores no ritmo e na batida os Dj Food abriram as portas da editora, foram os fundadores desta “School of Dance”em formato de editora. Na altura de “Jazz Brakes”, disseram que chamar-lhe uma colecção de músicas de dança instrumentais com sabores a jazz e funk era uma injustiça. Havia muito mais para além do corte e colagem habitual. Havia inspiração e bom gosto.
Na altura das primeiras edições da Ninja Tune, editora britânica iniciada a nível experimental com estes discos, os senhores More, Black, Carpenter, os muito “low profile” Dj Food e também a dupla Coldcut não sabiam muito bem o rumo que as coisas tomariam. Mesmo assim, arriscaram. Da melhor maneira.

À altura da primeira compilação (“Ninja Cuts”), o 15º CD, em Março de 95, a etiqueta levava já aos seus seguidores a sua filosofia baseada no respeito pelas fontes de inspiração e no mandar às urtigas qualquer tabu musical. Três grandes momentos para Peter Quicke, um dos arquitectos da casa são a edição dos primeiros álbuns dos Herbaliser, Funki Porcini e o muito querido “Recipe for Disaster”, dos Dj Food, por esta altura. Dão-se a conhecer nomes como Kruder & Dorfmeister, Ashley Beedle , London Funk All Stars, entre outros. Estes pertencem, digamos , à primeira geração do movimento Zen. Na altura, vinha escrito no inlay : “Um ninja tem que ser Zen. Deves escutar as cores do céu, usar as asas dos pássaros que cantam e procurar o perfume do gelo num dia de Verão. Quando encontrares essas coisas, saberás. Como resposta à pergunta “Como sentirei eu essas coisas?”, temos outra pergunta: “Como podes não senti-las?”.

Há outra fase para a Ninja Tune, já crescida, que se inicia por volta de 97. Entram na jogada Kid Koala (um nome que se confunde com a escola de corte e colagem tão em voga actualmente, um mestre do Breakbeat), Amon Tobin, Dj Vadim, Clifford Gilberto. Estes “maiorais” redefinem, por seu lado, a filosofia da casa, acrescentando-lhes as suas taras e manias em relação às artes visuais e manipulação de samples. Entretanto, os caseiros vão assumindo cada vez mais a sua faceta de remisturadores, ficando famosas algumas versões de artistas respeitados como os UFO, Cornelius, Soul II Soul, Galliano, Stereo MC’s. Vai-se alargando também o interesse por áreas como a edição vídeo (Os Coldcut Introduzem o “videojamming”) ou músicas do mundo (Com os viajadíssimos Up, Bustle and Out). A terceira vaga apresenta-se fresca e airosa, aparecendo Mr. Scruff ( muito Hip Hop ), Dynamic Sincopation, Jagga Jazzist, e os muito jazzistas Cinematic Orchestra, com o seminal “Motion”, em 99. Aliás, 99 é um ano de belas colheitas para os guerreiros Zen. Nomes que repetem a dose exemplamente, nos anos seguintes.

Avançamos, dada a relevância das edições, até 2004. Passados 14 anos sobre as emissões experimentais, e 10 sobre a abertura oficial da mansão, eis que chega o momento de a família Ninja comemorar em grande. Temos à nossa disposição a faceta corte, colagem e costura da editora. “ZEN RMX”, uma retrospectiva das remisturas da Ninja Tune vem recuperar, com um som mais limpinho, (dadas as condições técnicas desse tempo em que o sonho era em forma de DAT). “Dark Lady”, de Dj Food ou “Atomic Moog”, dos Coldcut, ou ainda “Get a move on”, de Mr. Scruff vem, segundo Peter Quicke, o compilador, relembrar “a thub-tumping combination of big toonz and lost classix”. Acho que dá para perceber. É uma bela maneira de comemorar uma década de vida.
E assim brindamos com os guerreiros, no seu merecido descanso, a sua música. E também os seus vídeos, já que a colecção vem com um complementar DVD.(Pinto)
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Site oficial www.ninjatune.net
 

 

   

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2017-06-27
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