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Steve Mackay em discurso directo
 
Steve Mackay em discurso directo
 
Sentámo-nos, numa bela tarde de Domingo, no bom e velho sofá do “lounge” do Deslize, onde a banda chegou cansada mas bem disposta. Quando perguntei a Steve se era possível fazer a entrevista antes do concerto ele disse-me que não iria falar muito nem muito depressa. Pois quando começou, nunca mais parou. Foi coisa para 3 horas, com um intervalo para comprar tabaco, que ele fumava incessantemente. Uma delícia.

Dado como morto (pela MTV, VH1 e Rolling Stone) devido a uma muito famosa overdose nos idos de 70 (Os gajos mataram-me, meu!), Steve Mackay é um reputado saxofonista que não conhece fronteiras quando se trata de experimentar várias formas de expressão musical. As suas transições entre métodos de composição tornaram-no uma das pessoas mais requeridas quer por tipos do Jazz vanguardista europeu (está presente em muitas compilações), pelos artistas da cena experimental (noise, free, rock independente) ou até do Blues (Steve mackay cantou-me uma composição sua sobre um soldado que vai para a guerra morrer pelo seu adorado país).

UZI - Se o Sax é uma extensão do seu corpo e da sua voz?
Steve - Claro que é! Carrego-o para todo o lado. Outro dia estava a tocar para uns tipos certinhos e engravatados que, suspeito, até devem pertencer á administração Bush. Passei largos minutos a dizer “NO!” através do saxofone. Espero que esses gajos tenham entendido para quem estava a falar...

U - Sobre os Mecanosphère, que os acompanharam nas anteriores datas, desdobrou-se.
S - Esses rapazes podiam estar a tocar perfeitamente nos E.U. Têm muito talento. Foi delicioso tocar com eles! São tipos óptimos para trabalhar.

Perguntei (tinha de perguntar) sobre os Stooges. Claro que declinou. Mas voltou lá.

S- Foi óptimo estar com o Mike, o Joe, o Iggy. Já gravei três temas para o seu próximo disco, que sai no Verão. Com os Stooges, venho cá em Julho, para um grande festival, segundo o que me disseram. Fantástico foi ser muito bem tratado no Japão, com o resto da malta (Os Stooges já não tocam juntos há 33 anos). É para continuar!

Steve está também a promover o seu primeiro LP a solo, “Michigan and Arcturus”, produzido por Scott Nydegger, a ser editado ainda este ano pela Radon. Inclui colaborações dos membros da editora e ainda de Watts e Mascis.

U - É um álbum conceptual?
S - É um álbum conceptual se pensarmos nele como transnacional, que reflecte as minhas vivências pessoais e o trabalho desenvolvido com estas pessoas, que vêm e vão para muitos sítios deste mundo. Até a minha mulher gostou. Foi ela, que gosta muito de olhar para o céu, que uma vez me apontou a estrela Arcturus. Estávamos em Michigan, portanto, se há uma ordem superior, ela está entre Michigan e Arcturus. A terra e o céu.

U - Como é o som?
S - Melódico, caótico, linguagem dinâmica, soft n’ loud. É assim também o som deste colectivo. Espiral dinâmica.

Quanto a esta passagem por Portugal, onde nunca esteve, claro que foi sincero.

S - Tivémos uma grande recepção. Não estava à espera que as pessoas estivessem tão atentas a este tipo de linguagem. Tocámos rock, ambient, jazz progressivo, noise, punk , tudo e as pessoas estiveram sempre com as antenas ligadas. Além disso, adoro o vosso país. As pessoas são muito educadas, cultas, talvez o melhor exemplo de povo europeu. O que vocês fizeram, vocês, e os espanhóis, etc., foi magnífico. Descobriram meio mundo! (desviámos neste ponto a conversa , o tio deu-me uma lição de história europeia e, claro, falámos dos E.U. e de Bush, de quem é um forte opositor) Vou pegar na minha mulher e vamos comprar aqui uma casa. Já tenho dinheiro suficiente para isso!

O trabalho de Steve, Sam e Scott faz-se, também, à distância.
Como todos temos projectos e poisos diferentes (Scott vive, actualmente, em Portugal), enviamos coisas por e-mail, músicas ou acrescentos que vamos fazendo, e o resultado é bom. A Radon trabalha muito bem, nesse aspecto. Consegue pôr-nos sempre em contacto, o que quer que seja que andemos a fazer.

Para finalizar, e antes de um rapidíssimo aquecimento, Steve deixou-me com esta frase de Shakespeare: "A vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e de fúria, e que não significa nada."

Depois, depois fomos todos jantar àquele sítio em que o Steve gostou do cheiro das batatas.(Pinto)
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2017-05-26
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