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Takashi Miike - Oriente Extremo
 
Takashi Miike - Oriente Extremo
 
A 11169 quilómetros de Portugal são produzidos cerca de 293 filmes por ano e um dos grandes responsáveis por este fenómeno, é sem dúvida, Takashi Miike.
Excêntrico, anómalo e original, quer pelos eventos grotescos representados, ligados à violência, quer pelo seu próprio discurso fílmico de ritmo veloz e frenético, Miike apresenta-se como o mais prolífero realizador japonês contemporâneo.

Amado por muitos, odiado por outros e com uma média de 4 filmes por ano (e capacidade de trabalho como quase já não existe), uma carreira que inclui cerca de 20 longas-metragens, 30 produções para o mercado do vídeo, episódios de séries de televisão e vídeos musicais, Miike consegue não passar despercebido. Faz dos seus filmes um espectáculo visual mirabolante em que desenhos animados ganham vida e a rapidez estonteante das imagens nos transporta para o interior de uma banda desenhada Manga. Sem limites, sem impossíveis, apenas com o dom de chocar de forma inteligente e esteticamente flamejante (à boa maneira japonesa).

Mas afinal qual será o encanto de Miike para em poucos anos se ter tornado uma verdadeira figura de culto no Japão e além fronteiras? A resposta é simples: é impossível ficar-lhe indiferente. A partir do primeiro encontro com a sua obra apercebemo-nos que afinal o cinema ainda é o palco privilegiado do sonho e da fantasia.
Miike combina géneros, reinventa-os, salta de produções eróticas (pink eiga) e filmes de ficção científica para aventuras juvenis e sagas yakuza num abrir e fechar de olhos, que tanto têm de anómalo como de brilhante.

Realizador de extremos, em que terror, violência radical e humor parecem ter sempre vivido lado a lado. Cortar membros usando um infantil magic marker, transformar o clássico “Música no Coração” num filme de terror incomodativo, criar um exército de mini-gangsters impiedosos formado por meninas de uniforme escolar, surpreender tudo e todos fazendo explodir meio planeta Terra quando se pensava que as personagens apenas possuíam uma mísera pistola de fulminantes e fazer de uma bailarina inexpressiva a mais fria das assassinas dos últimos anos, capaz de torturar meticulosamente e de forma cirúrgica as suas vítimas... Tudo parece simples e possível para Miike. Sangue em doses que se julgavam inimagináveis e braços e pernas decepados tornam-se o prato do dia dos filmes de Miike.

Actualmente é inevitável reconhecer a sua influência em muitas obras ocidentais, nomeadamente no mais recente filme de Quentin Tarantino – Kill Bill - versão sanguinária dos já velhinhos heróis de Shaolim, uma espécie de videoclip em que as coreografias se fazem com mangueiras de sangue. Uma homenagem a Miike? Um “roubar” bem intencionado, àquele que diz que na verdade nem é um cinéfilo porque quer “fazer cinema” e não “ver filmes”. Também a julgar pelos números astronómicos da filmografia de Miike, pouco deve ser o tempo que lhe resta para ir ao cinema. No fundo, deseja sim realizar um sonho de infância e ter a sua própria equipa de automobilismo, continuar a fazer filmes e ver os guiões pelo prisma de uma criança que se diverte a partir bonecos de plástico, a roubar as Barbies da irmã e a espreitar os filmes artes marciais e de gangsters que dão na televisão a horas tardias quando os pais o julgavam já a dormir.(JN)

Filmografia essencial:

Gokudo Sengokushi (Fudoh – The New Generations, 1996) – Primeiro grande sucesso internacional que remete para a tradição de cinema Yakuza e da temática da vingança.

Hanzaisha (Dead or Alive, 1999) e Tobosha (Dead or Alive 2, 2000) – Transposição nipónica do filme noir americano em que é retratado o clássico conflito entre um criminoso e um detective mas que aposta em modalidades de representação pouco convencionais.

Odishon (Audition, 1999) – Obra prima de Takashi Miike. A requintada história de uma audição para encontrar a futura esposa de um viúvo que culminará numa perversa e sádica tortura à moda oriental. Filme de culto do cinema japonês contemporâneo e que tem valido a Miike o reconhecimento internacional, nomeadamente o prémio da crítica internacional no Festival de Cinema de Roterdão de 2000.

Visitor Q (2001) – filme que marca o início do uso do digital por parte de Miike e que faz um retrato das perversões e crise total de uma família, até ao aparecimento de um misterioso e excêntrico visitante que resolverá todas as situações à sua maneira.

Ichi Koroshiya (Ichi the Killer, 2001) – Talvez o mais sanguinário dos filmes de Miike em que as palavras “violência”, “insólito” e “comédia” dão o mote.(JN)
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2017-04-27
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