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Atanarjuat
 
Atanarjuat
 
o Corredor
Bairro Alto, 20 de Abril. Olho pela janela e vejo um ladrão a correr com um fio de ouro do dono da tasca, daqueles fados vadios que só em Lisboa sabem, com sentimento (tanto), berrar.
O anafado lesado corre atrás, num sprint gracioso, que faz esquecer a sua condição de sedentário e me recorda a figura de um Inuit a correr sobre uma fina camada de gelo Artico...

Atanarjuat, o filme que se projecta, nesse instante, nos meus neuro-peptídeos, representa a primeira longa-metragem totalmente escrita, produzida, dirigida e interpretada por um Inuit. Premiado em diversos Festivais da especialidade (Cannes 2001-Winner Camera d'or for Best First Feature Film), Atarnajuat foi filmado em condições extremas, em handy cam, o que permite uma perspectiva crua e real do quotidiano de uma tribo de Esquimós. Falado em Igloolik antigo, esta película está rodeada de tradições milenares, de sapiência, de evidência. É mais que um filme. É um esgar de afirmação, orgulhoso, de uma forma de Ser.

A fotografia representa o sentido de todo o filme. Branco. O espaço, de dimensões imensuráveis, prende-nos na contemplação das nossas próprias vidas. Ser Inuit, acima de tudo é ser verdadeiro. É ser fiel a um caminho na vida, no qual a diária repetição do Sol, lá bem no alto, representa uma dádiva da Natureza. Apenas e Só. Branco.

Atanarjuat corre, livre, no Grande Norte. Branco. A cor com que grande parte da acção é tingida, em pinceladas de relações entre as pessoas. Espontâneas, reactivas e puras. E que explodem em vermelho sangue quando a Tribo se desvia do percurso natural das coisas.

Ódio, Sexo, Morte, Amor. Num cenário, que por tão belo, nos faz rever o sonho de ainda fazermos parte das origens da Vida.(JK)
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2017-06-27
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