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Last night a DJ saved my life
 
Last night a DJ saved my life
 
É mais um capítulo da saga. O colectivo Chicken Lips (Andy Meecham, Dean Meredith e Steve “Fella” Kotey ) foi, desta vez, o convidado da !K7 para uma sessão DJ Kicks
Editora que dispensa apresentações, albergue dos projectos de Matthew Herbert, Kruder & Dorfmeister, Tosca, Terranova ou os recém-chegados Tiga e Dani Siciliano (que, além de ser companheira de aventuras de Herbert, assina um dos melhores discos de autor do ano, para a editora), a !K7 tem desenvolvido, a partir da Alemanha, este simpático e bem-aventurado conceito: “Vamos pôr os estetas do momento, aqueles nos quais acreditamos a escolher e misturar músicas da sua preferência” Este conceito resume-se, no fundo, ao habitual “modus operandi” de um DJ, que é, regra geral, seguir o instinto e deixar a cena correr. Pois bem, aqui, na série DJ Kicks, não há limites. É um set (chamemos-lhe “sessão”) registado para a eternidade. Exceptuando o facto de este não ser como outro qualquer...

Já tivemos, na curta história da etiqueta baseada em Berlim (e que, em Nova Iorque, tem filial na 5ª Avenida), motivos suficientes para fazermos o nosso próprio “TPC” no que toca a descobrir, nomeadamente, músicos e bandas que, de outro modo, nunca encontraríamos. Sessões importantes são, por exemplo, as de Nicolette, DJ Cam, Terranova, Andrea Parker, Thievery Corporation, Rockers HI-FI, Truby Trio, Stereo MC’s, já que trazem ao nosso conhecimento estes autores e projectos que talvez nunca nos chegassem a ser apresentados.

Tudo começou com CJ Bolland, o primeiro convidado, em 95, no disco em que este assumia as suas referências (e como isso é difícil, para um DJ...), que vão desde o mais espampanante techno ou house às mais recônditas editoras de música de dança da altura. Chamaram-lhe alquimista. Porque gostava de ver o povo a suar, misturava batidas suaves com o mais destilado hard core.

Não estando alheios às correntes que se fazem e desfazem, os senhores da !K7 convidam, em 2003, os Chicken Lips, conhecidos pelo seu à-vontade no eterno e efeverscente caldeirão musical londrino, já que assinam inúmeras remisturas (que vão dos Underworld aos Stereo MC’s, passando pelos Playgroup, e Headman ). E eles, claro que aceitaram!

Não haja dúvidas: 2003 foi o ano em que qualquer remistura ou original dos Chicken Lips era ubíqua nas noites europeias, transportada por qualquer DJ que possa usar esse título. Por isso, eles eram perfeitos para mais uma edição da série DJ Kicks.

O som original deste conjunto é conhecido como “Disco Dub”, que deriva de uma mistura entre disco, boogie, sintetizadores dos anos 80 à mistura com rock n’ roll e algumas “malhas” vindas das Caraíbas, mais concretamente, da Jamaica. Isto é o que eles tocam. Mas o que é que põem? Só para contextualizar, têm amigos como Tim “Love” Lee, Idjut Boys, Ray Mang, grandes “junkies melómanos”.

Só para acabar, refiro que, de acordo com revistas da especialidade, o som dos Chicken Lips “ emergiu como uma bem-humorada alternativa à “ditadura” da batida “groove” 4/4 vigente. Eles demonstraram que o “retro disco groove” quando arranjado, pode soar como qualquer música contemporânea (seja house ou techno) baseada em samples “.

Mas vamos então ao disco...
Como é habitual, muitos dos artistas presentes no disco fazem parte do universo do colectivo. Estão lá Warp 9, Brainticket, Herbert (que assina uma genial versão de “The meaning of love” com a voz de Karin Krog), Colourbox, Nina Hagen, essa senhora rebelde, Jellybean e o grandioso Larry Levan. O tipo que punha o único clube com personalidade própria, o Studio 54 (esse, em N.I.) em bicos de pés. Aliás, este Levan foi em 2000 editado numa barata mas luxuosíssima edição de 3 CD, a propósito dos seus incomparáveis sets. Estes nomes simbolizam música ímpar e intemporal. Trata-se de música que sai dos 70 e entra pelos 80, que, ainda hoje, soa fresca, moderna e individualista. Aparece George Duke, grande orquestrador de Jazz dos anos 60 e 70, aparecem (!) as Raincoats, banda pop alternativa sediada em Inglaterra e com a nossa madeirense Ana... E The Congos, com “the congo man”, através de Carl Craig, que assina a remistura. De acordo com a tradição, os produtores/ DJ convidados pela casa trazem temas originais (ou não) para compor o quadro. Dois, neste caso. “ Bad skin” e “You’re not ready yet”.

Os Chicken Lips reuniram-se em 99, lançando logo o LP “ Echo Man”, pela editora Kingsize. Após a fase da estranheza, este disco passou por muitas mãos, ficando popular no meio “clubtural”. Depois de extensas apresentações como DJ (Alemanha, Dinamarca, Itália, França, Portugal, E.U.A.), os membros da agregação trabalharam com inúmeras remisturas.

!K7:Flavour Mix: Chicken Lips chegou a Portugal com o habitual atraso- é do último trimestre de 2003- Mesmo assim , não há dúvida de que, tanto a editora ,como os amigos e convidados merecem a nossa atenção.(Pinto)

P.S: Erlend Oye, a meia-laranja dos Kings of Convenience, que nos presenteou com um belíssimo concerto no Lux como DJ+ músico+ cantor, (exactamente como se apresenta agora) está também em fase de manobras no quartel da !K7. Está já disponível um EP de remisturas. A tomar nota.
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2017-06-27
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